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Publicado por Tony Oliveira | 2 de Fevereiro de 2012
recaptcha
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No mundo da web somos regularmente confrontados com quebra-cabeças que uma vez resolvidos possibilitam comentar um artigo, enviar um formulário ou efetuar uma compra. Na maior parte das vezes o quebra-cabeças que serve este propósito denomina-se de CAPTCHA,
acrónimo para Completely Automated Public Turing test to tell Computers and Humans Apart, um teste no qual é mostrado uma imagem contendo carateres distorcidos e que devem ser corretamente transcritos pelo utilizador, para que este seja reconhecido como uma pessoa e assim evitar tentativas de SPAM ou outras ações maliciosas para o normal funcionamento de um website.

No entanto a execução deste tipo de testes pode eventualmente ser complicada e incómoda em alguns casos, sendo interpretada pelo utilizador como uma mera perda de tempo. Estima-se que uma pessoa demora em média 10 segundos para submeter o que escreveu. Provavelmente a pessoa que faz o teste não daria o tempo como inútil se soubesse que estaria de alguma maneira a contribuir para algo positivo e produtivo, o que é na realidade a essência do projeto ReCaptcha, surgido na Universidade Carnegie Mellon (Pittsburgh).

Na página do projeto ReCaptcha é possível fazer o download do plugin para embeber em qualquer website mediante duas chaves virtuais que são fornecidas (private key e public key).

Numa página que contenha o plugin para validar o preenchimento de um formulário por exemplo, é apresentada ao utilizador uma imagem contendo duas palavras que devem ser transcritas para um campo de texto de modo a possibilitar o envio do formulário. Das duas palavras apresentadas apenas uma vai ser validada pelo código do plugin e consequentemente permitir o envio do formulário (salvaguardando a segurança do website), a outra é uma palavra digitalizada de um livro ou uma edição de jornal, provavelmente muito antigo(a). Apesar dos computadores conseguirem transcrever texto a partir de imagens digitalizadas de livros (Optical Character Recognition - OCR) a eficácia do processo é bastante mais reduzida em livros antigos pois as formas dos carateres não são tão percetíveis e o contraste dos mesmos com o papel envelhecido não favorece uma boa distinção por parte do computador. É aí que entra a capacidade do ser humano de fazer tal distinção, com distinção: uma das duas palavras do CAPTCHA serve para validar o utilizador, enquanto que a outra (pertencente à digitalização de um determinado livro ou jornal com muitos anos) seguirá para uma base de dados contendo inúmeras transcrições de livros digitalizados. Desta maneira aproveitam-se melhor os 10 segundos que todos os dias cerca de 30 milhões de pessoas empregam para resolver um CAPTCHA (aproximadamente 3.300 milhões de horas).

Pelo facto de serem apresentadas duas palavras fora do contexto surgem por vezes conexões entre ambas no mínimo caricatas, daí que existam websites/blogs específicos para registar este tipo de fenómenos e até mesmo uma espécie de corrente artística derivada do ReCapcha, o captchaArt.

Obviamente que nem sempre é possível uma pessoa transcrever corretamente a palavra digitalizada, mas cruzando as respostas de dezenas de utilizadores para a mesma palavra consegue-se chegar a uma relevância de quase 100% e assim juntar mais alguns carateres a determinada transcrição de determinado livro.

Em média é possível transcrever 160 livros (num só dia). Todas as edições em papel do jornal New York Times já foram digitalmente transcritas graças a este processo. Se não conhecia as vantagens deste plugin, pode-lhe juntar mais uma: a partir de agora estará mais recetivo para preencher o próximo CAPTCHA que lhe for apresentado!

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Publicado por Catarina Acúrcio | 26 de Janeiro de 2012
Kodak - Logótipo
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Na passada quinta-feira, dia 19 de janeiro, a Eastman Kodak apresentou um pedido de falência voluntária no tribunal de Nova Iorque. Assim era a notícia que se podia ler nos vários meios de comunicação e que me apanhou de surpresa.
Não é que fosse uma notícia completamente inesperada já que a empresa enfrentava há vários anos problemas financeiros, mas eu inocentemente achava que o "momento Kodak" era de tal forma uma referência a nível mundial que apesar dos muitos fracassos económicos, a Kodak iria reinventar-se e procurar alternativas viáveis face ao esmagador crescimento do mercado.

Fundada em 1888, a Eastman Kodak Company revolucionou o mundo da fotografia, não só pela inovação e simplificação de todo o processo, reduzindo significativamente o material necessário para a captação de imagens, como também permitiu que o grande público, isto é, qualquer pessoa pudesse premir um botão e "congelar" um momento importante.

A verdade é que esta empresa tornou possível o desenvolvimento em diversos setores, incluindo o do cinema e o da saúde. Os primeiros filmes produzidos para o cinema foram criados por Eastman em 1889 e em 1896 a empresa fornecia chapas e papéis especificamente para a captura de imagens em raio X. Os investimentos da empresa não ficaram por aí, a Kodak também desempenhou um papel muito importante no que toca à impressão em revistas e livros. Depois de várias pesquisas a sistemas de impressão conseguiram mostrar ao setor como separar e corrigir cores, aumentando assim a sua qualidade.

A distribuição internacional dos produtos da marca chegou a Portugal em 1919 com a criação da Kodak Portuguesa. A marca rapidamente cresceu a nível nacional e foi graças à Kodak que muitos portugueses tiveram contacto com o mundo da fotografia.
Confesso que nunca tive uma máquina fotográfica da Kodak mas recordo-me de vir das férias, cheia de rolos da marca para revelar. Dirigia-me a um agente Kodak, existiam imensos, e depois esperava aproximadamente uma hora pelas fotografias ainda quentes vindas da máquina de revelação. Adorava quando me davam mais dois ou três rolos, consoante as fotografias que tinha revelado, isso e as capinhas amarelas e vermelhas para colocar as mais recentes fotografias.

Afinal a pergunta que se coloca é a seguinte: Como é que esta grande corporação multinacional, com a sua marca reconhecida em todo o mundo, detentora de diversas patentes e a criadora em 1975 da primeira máquina digital acaba por ser ultrapassada e sucumbe à revolução digital? Provavelmente a resposta será uma má gestão dos recursos da empresa. Afinal ser pioneira, inovadora e com uma infinidade de produtos e processos de topo não chega, é preciso acompanhar os tempos e as necessidades dos consumidores. Na época a maioria dos lucros da empresa vinham da venda de produtos químicos utilizados nos filmes e com receio de minar o negócio tradicional não arriscaram na altura certa.
Quando o mercado digital explodiu os concorrentes já teriam máquinas mais avançadas, ou seja, a entrada tardia da Kodak no mercado provavelmente valeu-lhe a situação em que se encontra hoje.

A empresa está a viver momentos complicados mas segundo o comunicado no website da Kodak, esta decisão tem como objetivo reorganizar a empresa. Diz ainda que esta reorganização permitirá à Kodak reforçar a liquidez nos EUA e no exterior, bem como resolver dívidas acumuladas. Este pedido não inclui as subsidiárias fora dos Estados Unidos. A Kodak pretende ainda continuar as operações normais de negócios durante o processo de reestruturação.
O futuro até pode ser incerto e pouco prometedor mas uma empresa como a Kodak dificilmente irá cair sem lutar.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Publicado por Ricardo Lage | 19 de Janeiro de 2012
Assistiu-se no dia 18 de Janeiro de 2012 a uma paragem completa dos serviços da Wikipédia, bem como de vários sites mais pequenos nos Estados Unidos, como forma de protesto a duas novas leis que se encontram em discussão, a SOPA (Stop Online Piracy Act) e a PIPA (Protect IP Act).

Das duas, a que tem sido alvo de maior atenção tem sido a SOPA, talvez por ser a mais radical, mas ambas terão impactos gigantes na vida de quem navega, faz negócios, usa a internet.

Estas leis têm como principal objetivo fornecer às empresas (da indústria musical, cinematográfica, entretenimento, etc) formas de protegerem as suas propriedades intelectuais.

De uma forma geral, a ideia passa por permitir que as empresas reportem violações das suas propriedades intelectuais/direitos de autor, tal como é prática atual, mas que passem a ter, também, a possibilidade de bloquear o DNS do website que divulga esses conteúdos. Por outras palavras, um website que se encontre alojado em Portugal, salvaguardado pelas leis nacionais, mas que exiba conteúdos protegidos, fica automaticamente inacessível nos E.U.A.

Como exemplo, imagine que carrega um vídeo do seu filho para o YouTube e que no momento em que este foi gravado tinha o rádio ligado e estava a ouvir uma música. Isto poderá ser considerado pirataria e o YouTube ficará inacessível de forma imediata para todos os utilizadores Norte-Americanos. Websites que vivem de conteúdos gerados pelos utilizadores serão, sem qualquer dúvida, os mais afetados. Facebook, Wikipédia, YouTube, Twitter e muitos outros irão sofrer consequências sérias se estas leis forem aprovadas.

E como nos afeta a nós, portugueses, esta lei? De forma direta e imediata talvez a maior parte das pessoas nem se aperceba, mas imagine que websites como o Google passam a ter um filtro em todas as pesquisas antes do resultado nos ser apresentado? Imagine que devido a estas restrições o seu website desaparece ou cai diversas posições nos rankings de pesquisa?
Tem um website e quer colocar citações de autores americanos? Colocar fotografias de projetos ou opiniões no blog da sua empresa que contêm produtos americanos? Tudo isso passa a estar sujeito a um escrutínio rigoroso que tem, como medida imediata o bloqueio do seu website nos Estados Unidos, bloqueio esse que deveria ser a última medida a tomar e não a primeira.

Este é um poder que ninguém deveria ter.
Entretanto, várias entidades têm demonstrado o seu apoio ou a sua objeção a esta nova lei. Como referido anteriormente, a Wikipédia já fechou os seus serviços por 24 horas e diversas formas de protesto estarão já a ser agendadas para o mês de Fevereiro.

Será que a Internet como a conhecemos está a morrer? Irão as grandes potências web unir-se contra estas leis e manter a rede tal como a conhecemos ou será, tal como já se fala, criada uma nova rede livre deste tipo de leis?

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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