Opinião.28 Jun 2012

Web Design em diferentes resoluções

A resolução de referência para a criação de websites foi até à pouco tempo 1024x768 píxeis. Embora a dimensão dos ecrãs e consequente resolução tenha aumentado significativamente a partir de 2009, a verdade é que a diversidade de tamanhos e formatos era de tal ordem que por questões de conveniência a resolução mais comum acabou por se manter nos 1024x768.

Com a crescente necessidade de aceder à internet em qualquer lugar, os portáteis ganharam popularidade e são cada vez mais os utilizadores que dispensam o computador desktop para trabalhar ou aceder à internet, mesmo a partir de casa ou do trabalho.

Seguindo a tendência dos ecrãs maiores de desktop e dos ecrãs de televisão os laptops adotaram desde cedo o formato 16:9 com o intuito de se ajustarem aos standards de vídeo. Este ano, após cerca de 8 anos de liderança do 1024x768, a resolução mais comum para aceder à internet passou a ser 1366x768, que apesar de ser pouco maior (a altura é a mesma) passa da relação 4:3 para o cada vez mais vulgar formato 16:9.

Os ecrãs wide são mais adequados ao nosso sistema visual por distribuirem a informação na horizontal o que favorece a forma como o nosso campo visual funciona, no entanto este formato não encaixa na forma como a grande maioria das páginas de internet foram ou são desenvolvidas. A maioria dos websites ainda funcionam quase totalmente na vertical, recorrendo frequentemente a longos scroll's, e aproveitam apenas parcialmente a largura do ecrã.

Se antes a recomendação predominante era ajustar os websites para funcionar corretamente em 1024x768 a nova tendência é otimiza-los para monitores wide com resoluções entre os 1280 e os 1600 de largura. Os designers devem encontrar formas de utilizar o espaço horizontal disponível, criando páginas que melhorem a usabilidade nestes novos formatos. Devem também recorrer a soluções como o Responsive Design para continuar a dar suporte tanto aos novos dispositivos móveis (smartphones e tablets) como a quem possui ecrãs menores uma vez que estes ainda se manterão por algum tempo.

Os estudos de usabilidade indicam que devemos direcionar o nosso desenvolvimentos para a resolução mais utilizada mas não devemos descuidar os outros formatos, fazendo testes para garantir que é possível aceder convenientemente aos websites em diferentes tamanhos de ecrã. Devemos também caminhar gradualmente para soluções escalonáveis, evitando assim as estruturas fixas e as suas limitações.

Além destes aspetos, muitas vezes o espaço disponível na janela do browser também é mal aproveitado, resultado da forma como está configurado. Enquanto alguns utilizadores apenas deixam visíveis as opções base dos browsers, outros preferem ter acesso imediato a todas as opções e por isso colocam a maioria dos menus visíveis, abdicando assim de uma grande parte da janela reservada para apresentação dos websites.

Apesar de a dimensão dos monitores ter aumentado ainda se mantêm em utilização muitos de dimensões menores, porque tanto as pessoas como as empresas quando adquirem monitores habitualmente mantêm-nos por vários anos, por vezes mesmo quando substituem os PC's.

Esta diversidade provocada pelos formatos 4:3 e 16:9 irá gradualmente diminuir, poderá levar algum tempo mas acabará por suceder. Durante esta período de transição haverá sempre algumas resoluções em que o compromisso poderá ser maior que o desejado.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Jorge Mendes