Opinião.17 Fev 2012

Uma ameaça à criatividade

No início de um novo projeto há sempre a tentação de construir rapidamente uma maquete. Isto funciona como uma espécie de certificado de que se está a trabalhar no projeto. E a verdade é que as maquetes são úteis; as maquetes ajudam a perceber o que se vai desenvolver e ajudam a concretizar as ideias que vão sendo lançadas pelos vários intervenientes no projeto, constituindo uma excelente ferramenta de trabalho.

Mas muitas vezes a discussão deixa de ser em torno do projeto em si para passar a ser em torno da maquete apresentada. A maquete deixa de ser uma ferramenta de trabalho e passa a ser o centro de todo o projeto. As necessidades a que o produto tem de dar resposta são esquecidas, os requisitos apresentados pelo cliente são postos de lado, a discussão das melhores soluções a implementar fica adiada.

A equipa de desenvolvimento dedica-se a refinar a maquete e o processo criativo que deu origem à maquete enquanto primeiro esboço do projeto é abruptamente terminado.

A consequência de tudo isto é que o Cliente no final vai receber um produto de qualidade mas que não dá resposta às necessidades iniciais do Cliente.

As maquetes são necessárias. Mas apresentá-las demasiado cedo pode comprometer todo o projeto. É necessário primeiro discutir os requisitos e definir quais as necessidades a que o projeto tem de dar resposta. No fundo, discutir uma maquete demasiado cedo é discutir uma solução quando ainda ninguém sabe ao certo qual é o problema.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Fernando Pina