Tablet em Braille

Opinião.22 Jan 2016

Tablet em Braille

Braille é um sistema de leitura que permite a deficientes visuais "ler com as mãos", identificando cada letra ou símbolo através do tato. Livros e outros produtos em braille geralmente imprimem o seu conteúdo em alto relevo, para que pessoas cegas o possam compreender. No entanto, isso não é possível com os ecrãs touchscreen de smartphones e tablets. Por enquanto.

Investigadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, desenvolveram um tablet (ou, para ser mais exato, um leitor eletrônico como o Kindle, da Amazon) que gera letras em braille no ecrã do dispositivo. Um sistema de ar comprimido empurra pequenos pinos contra a superfície do ecrã, gerando assim alto relevo, no fundo são apenas pequenas bolhas preenchidas com ar ou fluídos.

A tecnologia de hoje em dia já ajuda deficientes visuais com sistemas de texto-para-fala, mas estes são limitados, contudo este novo dispositivo consegue disponibilizar informações dispostas espacialmente, como imagens, tabelas e gráficos. Ecrãs em braille atualizáveis já existem, mas têm dois problemas: o primeiro é a configuração de linha única, o segundo é o preço, entre 3 mil e 5 mil dólares. Um dispositivo com as tecnologias atuais e múltiplas linhas custaria à volta de 55 mil dólares, contudo um dispositivo com esta nova tecnologia pode custar à volta de mil doláres.

Chris Danielsen, porta-voz da Federação Nacional de Cegos dos EUA, fala sobre a importância de um dispositivo destes à revista Technology Review, do MIT:

"Atualmente, muitos de nós, que lemos Braille, achamos que ler com ecrãs de linha única é mais lento e cansativo do que usar um sistema texto-para-fala ou materiais audio. Eu acho que isto iria mudar significativamente com um dispositivo com um ecrã maior, especialmente a um preço acessível como este."

De acordo com dados da instituição representada por Danielsen, a necessidade de uso de braille tem caído nos últimos anos por causa do audio. Em 2009, menos de 10% das crianças cegas dos EUA estavam a aprender braille, bem menos que os 50% a 60% dos anos 60.

Imagem (source) - Universidade do Michigan

Nuno Araújo