Opinião. 6 Mar 2015

Smart Payments

Neste início de mês estamos a assistir a mais um capítulo da competição entre a Apple e a Samsung pela liderança do mundo dos smartphones. Primeiro foi a Samsung a anunciar os seus dois novos smartphones, o Galaxy S6 e o Galaxy S6 Edge. Não deixa de ser curioso que a Samsung tenha adotado a estratégia da Apple de apresentar em simultâneo dois novos modelos.

No próximo dia 9 será a Apple a apresentar os seus novos produtos. A expetativa é grande para ver que novidades a Apple vai apresentar e que mais vamos ficar a saber sobre o Apple Watch.

Após a apresentação da Samsung em Barcelona há uma nova área de competição entre as duas empresas: as soluções de pagamentos móveis. A Samsung apresentou o Samsung Pay menos de um ano depois da Apple ter anunciado o Apple Pay e antes de o mesmo entrar em produção, algo previsto para o Verão de 2015.

As soluções são à primeira vista bastante parecidas, mas apesar de pouco se saber ao certo sobre as soluções percebem-se já algumas diferenças e alguns pontos de vantagem para cada uma das companhias.

Como seria de esperar ambas as soluções são proprietárias e ambas necessitam dos produtos da respetiva empresa. À semelhança da Apple a Samsung só disponibiliza o Samsung Pay nos novos modelos Galaxy S6, não estando prevista a retrocompatibilidade com os modelos anteriores da Samsung que já disponibilizavam a tecnologia NFC (Near Field Communication). Ambas as empresas apostam sério na segurança das soluções de pagamento; os equipamentos incluem um chip, Secure Element, que garante a segurança das transações. Sempre que se inicia uma transação de pagamento o Secure Element gera um token único que substitui informação sensível como os dados do cartão de crédito e que garante que os mesmos dados não são trocados entre o smartphone e o terminal de pagamento. Ao contrário do que muitos possam pensar estas soluções de pagamento protegem muito melhor os nossos cartões de crédito do que as nossas carteiras.

E ao falar em questões de segurança e confidencialidade de informação eis que surge uma potencial diferença entre as soluções de pagamento. A Samsung disponibiliza um histórico das transações realizadas num determinado equipamento, mas ainda não é claro se os mesmos dados serão guardados pela empresa. Já a Apple garante que não guarda dados de transações e que portanto os nossos locais de consumo ou produtos adquiridos não serão usados na criação de perfis de consumo.

Mas a principal diferença está na rapidez com que os pagamentos serão efetuados. E aqui a vantagem é da Apple. Um pagamento através do Apple Pay apenas implica aproximar o smartphone do terminal de pagamento (POS) e confirmar o pagamento com a nossa impressão digital, algo que poderá ser efetuado sem necessidade de desbloquear o equipamento. No caso do Samsung Pay o processo tem mais um passo; primeiro é necessário selecionar o cartão de crédito a usar na operação, confirmar a operação através da impressão digital e aproximar o smartphone do terminal; e ainda não se sabe se os equipamentos da Samsung permitirão pagamentos mesmo estando bloqueados.

Uma vantagem que a Samsung terá, pelo menos nos tempos mais próximos, é a possibilidade de usar terminais de pagamento apenas com possibilidade de leitura de banda magnética dos cartões. Se na Europa muitos destes terminais têm sido substituídos nestes últimos anos, nos Estados Unidos o cenário é bem diferente. Apenas em 2016 será expectável que grande número dos comerciantes tenham substituído os seus terminais. Com a aquisição da empresa LoopPay a Samsung integra nos Galaxy S6 tecnologia que permite que os smartphones sejam usados em terminais sem comunicação NFC e que apenas conseguem ler pistas magnéticas dos cartões.

Até que estas soluções de pagamento sejam massivamente utilizadas ambas as empresas certamente apresentarão novidades. E sempre que houver apresentações lá ficaremos na expectativa, tal como este mês, de saber que mais estas empresas irão inventar. Já há rumores de um carro elétrico... smart, claro!

Fernando Pina