Opinião.23 Set 2016

Pequenos Inventores

No início do ano letivo é normal receber em casa a lista de atividades extra que as crianças podem frequentar na escola.

Este ano, a juntar às atividades tradicionais como o judo, o ballet, o clube de estudo e afins, houve uma que me despertou a atenção. Os Inventores.

Esta atividade tem como objetivo dar a conhecer à pequenada as ferramentas e as competências do século XXI, proporcionando-lhes a oportunidade de desenvolverem projetos, obviamente pensados e adaptados a crianças de 9 e 10 anos, onde podem mexer, explorar, criar, experimentar.

A forma como esta atividade foi apresentada aos miúdos também foi diferente do habitual. Não juntaram as crianças todas numa sala para um adulto mostrar as coisas que poderiam fazer. Em vez disso apresentaram a cada criança, individualmente, o que poderiam fazer. Nessa apresentação o meu filho fez uma coisa muito simples; colou numa pequena base uma pilha de relógio e um led com um fio a ligá-los. Quando o fio toca na pilha o led acende, caso contrário o led está apagado. Muito simples. Mas foi feito por ele. Muito positivo.

E as atividades a desenvolver tocam diversas áreas, como a montagem de estruturas, a utilização de motores, a mecânica, o magnetismo, a eletrónica digital e analógica, a programação, a animação, o design.

Para as crianças será certamente apenas mais uma brincadeira. Mas tem, a meu ver, alguns aspetos muito positivos. Por um lado transmite às crianças uma pequena ideia de como é que as coisas funcionam. Numa época em que impera o usar e deitar fora, as crianças terem a perceção de que os brinquedos, os jogos e as consolas não funcionam por magia e que eles próprios são capazes de as fazer apenas lhes pode fazer bem. Por outro lado, as crianças têm a oportunidade de mexer, de experimentar, de poderem errar e estragar sem que daí venha grande mal. É assim que se aprende e que se evolui. Pensa-se, experimenta-se, falha-se, volta-se a tentar. E quando funciona há sempre oportunidade de melhorar, de integrar novas ideias. Claro que estamos a falar de crianças, mas o bichinho fica lá. Por fim tem a grande vantagem de dar a conhecer áreas tecnológicas que podem ser de grande importância para o futuro profissional dos miúdos e que são áreas esratégicas nas quais o país deve apostar em termos de educação e investimento. Não é por causa desta atividade para crianças que se vão mudar vidas ou o futuro do país. Mas se graças a esta atividade uma criança escolher uma área de aprendizagem com futuro, com oportunidades de carreira profissional e com a possibilidade de produzir e inovar em vez de um tradicional curso com zero saídas profissionais, então já valeu a pena. As crianças agradecem, e se calhar daqui a uns anos, o país também.

Fernando Pina