Opinião. 7 Ago 2015

Os agregadores não fornecem notícias

Um agregador de notícias obtém o título e uma breve descrição da notícia de um site noticioso. Tal como o nome indica, agrega toda essa informação num mesmo espaço, poupando assim o utilizador de ter que navegar em inúmeras páginas, diferentes, para procurar alguma informação que deseje ler com mais detalhe.

A 16 de Dezembro de 2014, a Google colocava um ponto final no seu serviço de notícias em Espanha. Essa decisão ocorreu depois do governo espanhol ter decidido cobrar à Google pela utilização das notícias dos jornais espanhóis. O objectivo desta medida, que entrou em vigor em Janeiro de 2015, era proteger os jornais online da potencial exploração de que seriam vítimas pelo gigante da Internet.

Uma vez que a lei era mais abrangente, o resultado final foi que diversas plataformas agregadoras de notícias, que também teriam de suportar a taxa anunciada, decidiram fazer o mesmo que a Google e encerrar os seus serviços, em alguns casos gratuitos, tal como o Google News.

Confirmou-se agora, o que já se adivinhava na altura, que a imposição de uma taxa a todos os que quisessem apresentar excertos de notícias com link para os sites originais, diminuiu o tráfego gerado nos sites dos jornais, com proporcional quebra nas receitas de publicidade.

No caso de jornais mais pequenos este efeito foi ainda mais visível, com alguns a encerrarem serviços ou a fecharem as portas, pois sem as receitas da publicidade tornou-se insustentável manter o negócio.

No fim de contas, o que seria uma forma de proteger as publicações demonstrou, para quem tivesse dúvidas, que as taxas não resolvem tudo, em muitos casos agravam o problema, em particular dos mais pequenos.

Note-se que a Google já passou por um processo semelhante na Alemanha e que foram as editoras a voltar atrás e a procurar de novo a Google para que os seus conteúdos fossem publicados no seu agregador.

Ricardo Lage