Opinião.30 Jul 2015

O Web Design está morto?

Um artigo de Junho da UX magazine defende que o web design está morto, essencialmente porque os serviços ou frameworks como o Wordpress, Drupal, Blogger, entre outros, colocam à disposição dos utilizadores tudo o que é necessário para criarem o site do seu negócio. Faz também menção à nova tendência de serviços "automatizados" que recorrem a suposta inteligência artificial para decidir que layouts, cores fontes, etc... se adaptam melhor ao conteúdo de cada site. Além disso refere ainda que as páginas de Facebook tornam até irrelevante a necessidade de um site.

Embora estes argumentos sejam válidos, de certo modo colocam de lado a questão essencial, o web design para a maioria dos negócios tem um peso inegável na estratégia e sucesso das marcas por ser um canal privilegiado de comunicação entre estas e os seus consumidores. Sendo uma das funções do branding criar nesse mesmo consumidor uma impressão única e memorável, será sensato, pelo simples facto de estar ao nosso alcance, desenvolver uma presença na web sem o aconselhamento e experiência dos profissionais desta área?

Estabelecendo uma analogia com outra área de comunicação, podemos pegar no exemplo do vídeo. Na década de 80 as câmaras de vídeo banalizaram-se e qualquer negócio teria acesso a equipamentos para fazer um vídeo publicitário, mas nem por isso as empresas deixaram de recorrer aos profissionais da área para realizar as campanhas publicitarias. Pegando num exemplo ainda mais atual, hoje em dia podemos fazer um filme em HD a partir de qualquer telemóvel mas isso não significa que devamos filmar os spots publicitários com ele e enviá-los para difusão num qualquer canal televisivo. Este género de abordagem em vez de promover a marca faz precisamente o contrário, diminui-a.

A maioria dos sites "faça você mesmo" deixam esta imagem e contribuem para uma web povoada de sites com estruturas e funcionamentos semelhantes e grafismos invariavelmente "clean". Não me parece que esta seja uma forma de branding eficaz! Se todas as empresas fizessem o seu próprio site sobre estas ferramentas, imaginem só a facilidade com que as restantes empresas, que recorrem a serviços de web design profissionais, as conseguiriam fazer destacar-se da concorrência.

Imaginem este cenário, um utilizador faz uma pesquisa de um determinado produto ou serviço que necessita. Os resultados dessa pesquisa apresentam uma série de páginas de empresas, mal planeadas e com um design semelhante entre elas. Mas um dos sites apresenta um Titulo mais apelativo, uma Descrição bem elaborada, uma interface fácil de utilizar, conteúdo facilmente acessível, bem estruturado e um design distinto de todos os outros. Dos resultados desta pesquisa quem acham que o utilizador vai contactar?

Já ouve outra altura em que o web design estava "morto", foi no início da própria web, não existia sequer e alguns negócios viram a oportunidade de se apresentarem de uma forma distinta da sua concorrência. Se esta tendência, do site "faça você mesmo", se mantiver e ganhar protagonismo os adeptos do "faça você mesmo" vão também estar a criar uma oportunidade para que os seus concorrentes deixem uma boa impressão nos potenciais clientes. Será que o web design está mesmo morto, ou estará apenas a mudar?

Jorge Mendes