Opinião. 2 Mai 2014

O Regresso das Arcadas

Na primeira década do século XXI a produção de videojogos tornou-se numa das mais lucrativas áreas da tecnologia, com equipas de desenvolvimento numerosas e complexas, a requererem mais investimento do que filmes de Hollywood. As qualidades técnicas dos jogos evoluíram consideravelmente, tanto ao nível gráfico como sonoro, proporcionando uma jogabilidade mais imersiva e realista. Este facto contribuiu para que se olhasse com algum desdém para os jogos dos anos 80/90, do tempo das máquinas de arcada e salões de jogos, fazendo em alguns casos pensar: "como foi possível ter gasto tantas moedas de 50 escudos em jogos de 256 cores e som 8bit". Tal acontecia porque os jogos da altura eram realmente muito bem desenhados e viciantes apesar das limitações técnicas.

Com o surgimento de inúmeros jogos independentes para smartphones e outras plataformas (aconselha-se a visualização deste documentário) chegou-se à conclusão que não é imperativo um jogo ter gráficos que o fazem confundir com a vida real para ser algo excitante e viciante. Veja-se que um dos jogos de maior sucesso nos últimos tempos dava pelo nome de "Flappy Bird". Penso que em parte esta nova abertura por parte do público a jogos de produção independente e realizados com poucos meios fez com que se voltasse a nutrir especial simpatia por jogos mais antigos, os chamados de "arcada".

Apesar da minha geração ter sido apelidada de "geração das consolas", ainda vivi em certa parte o ambiente dos salões de jogos, sem contudo dispensar a minha Sega Mega Drive. Estes espaços tinham um certo encanto não só pelas máquinas de arcada com jogos cativantes que lá se encontravam, mas também pelo convívio e competição que neles se gerava. Hoje é praticamente impossível recriar esse ambiente. Muitos salões de jogos encerraram pois os seus clientes passaram a conseguir jogar os mesmos videojogos em casa, porventura poupando dinheiro.

Devido a esse sentimento nostálgico que ainda toca a muitas pessoas são cada vez mais frequentes as organizações de eventos de arcadas. Exemplo disso são os eventos Game On Lisboa, Sapo Codebits (apresenta uma área dedicada apenas a arcadas), o PinballFest organizado pela PinballPT, entre outros. Por consequência são cada vez mais frequentes as empresas interessadas em negócios relacionados com restauro, compra e venda de máquinas arcada/pinball.

Como a dificuldade em encontrar estas máquinas em espaços públicos é grande, tem-se vindo a estabelecer um novo hobby: o de colecionador de máquinas de arcada. Para quem não encontra máquinas de ocasião num estado aceitável ou a um preço acessível, e mesmo para quem se sente tentado a construir a sua própria máquina de arcada, facilmente se consegue através da internet a informação necessária aos procedimentos necessários bem como componentes necessários em lojas online. Para os interessados deixo aqui um post (já com alguns anos) redigido por Celso Martinho, no qual descreve todo o processo para quem deseja construir a sua própria máquina de arcada.

Tony Oliveira