Opinião.28 Set 2011

O futuro do email no mercado da Internet

Imagine-se uma pessoa arrastada para uma discussão sobre determinado ramo profissional por mão de um colega que quer puxar conversa.
A atravessar um dia menos bom e com os níveis de concentração a atingirem mínimos históricos, limita-se a fazer de conta que dá ouvidos ao seu interlocutor, que já tem referenciado como fonte de conversas geralmente vulgares e desinteressantes. Quando finalmente decide voltar a focar-se na conversa, já não se lembra do tema da mesma. Porém, como também não se lembra de terem sido empregues os termos "inovação" e "criatividade" deduz que a área de negócios de que se fala não é certamente a Internet.

Embora pareçam chavões são na verdade dois dos termos que mais servem de requisitos à generalidade das empresas desta área.

Com o surgimento, expansão e generalização das redes sociais nos últimos anos torna-se óbvia e justificada a acção de optar por estes novos meios de comunicação, seja para comunicar com amigos, conhecidos, familiares ou mesmo para reunir contactos no meio profissional através de plataformas apropriadas como é o caso do LinkedIn. O mesmo sucede no ramo empresarial, área que vê estes novos meios de informação como uma prova de "inovação" e "criatividade" indispensável para difundir eficazmente novos produtos e serviços.

Posto isto, existe na Web uma ferramenta comunicacional que começa a parecer antiquada e que nada ajuda na luta pela "inovação" e "criatividade". O email como forma directa de comunicação é cada vez menos utilizado sobretudo pelas gerações mais jovens, que optam pelo Facebook, Twitter e outras redes sociais onde podem difundir fluxos de informação de uma forma mais abrangente considerando o seu grupo de amigos. É portanto natural que as empresas montem estratégias de marketing direccionadas para a media social em detrimento do email, de modo a inovar e mostrar originalidade.

É então plausível afirmar que o email é uma ferramenta comunicacional que cairá em desuso dentro de alguns anos. Será? Não. Muito dificilmente tal acontecerá. O tipo de comunicação proporcionado pelo email continua a possuir vantagens exclusivas que o tornam único na Web. É um modo de comunicar na Internet que facilmente consegue assegurar um alto grau de privacidade na troca de informação, que é feita de forma directa e sem envolver discussão adicional por parte de outros utilizadores. Ainda para mais, ao contrário da media social cujos fluxos de informação inconscientemente ignoramos muitas das vezes, o email não é fácil de ignorar até que seja lido.

Na comunicação empresarial continua também a ser o meio mais formal de trocar mensagens e estabelecer relações profissionais.

Mais importante ainda, o email continua a ser para as empresas uma excelente maneira de construir boas campanhas de marketing e de estreitar relações com clientes, principalmente porque é vital chegar ao maior número de pessoas possível. É raro o utilizador de Internet que não tem uma conta de email associada, pelo que se torna fácil de entender que existe uma maior percentagem de utilizadores que não estão inseridos em redes sociais do que utilizadores que não têm conta de email, até porque um utilizador necessita de indicar uma conta de email para se poder registar numa plataforma social (o que só por si já garante uma massiva utilização do email nos próximos anos).

Também não é surpreendente o facto de tanto o Facebook como o Google + quererem ver associadas aos seus utilizadores sociais contas de email também por si fornecidas, que já foram disponibilizadas pelo Facebook há alguns meses (@facebook.com), enquanto que o Google + obriga ao uso de conta de email Google (@gmail.com).

Contudo existem aspectos negativos que já por muito tempo estão associados ao email, tais como os ataques de Phishing e o envio de Spam, embora a prática das mesmas tenha decrescido nos últimos anos sobretudo porque também as redes sociais têm vindo a ser cada vez mais atingidas por estes tipos de ameaças, desviando-as das nossas contas de email.

É sensato afirmar então que o email continua a ser e será por muito tempo uma ferramenta comunicacional de vital importância no mundo dos negócios orientados para Internet, cujos resultados irão sempre depender muito da forma como é redigido, optimizado e devidamente estudado através de estatísticas quando possível. Tal possibilita uma melhor análise de resultados com o intuito de distinguir boas e más práticas, para que os resultados de uma próxima campanha de email sejam sempre superiores em relação aos da campanha anterior.

Tony Oliveira