Opinião.20 Set 2010

O Futuro da Internet

A internet é um suporte que evoluiu, e continua a evoluir, a um ritmo alucinante. Ajudou a transformar o planeta na "Aldeia Global" que é hoje e afastou-nos da comunicação em suporte impresso de uma forma que não julgávamos possível há poucos anos atrás.

Actualmente os seus "perigos" são tão evidentes como o seu potencial para crescer e alargar os nossos horizontes nas mais diversas áreas. O debate sobre a continuidade da internet como a conhecemos, disponível e de livre acesso para todos, está na ordem do dia. Adivinha-se uma "guerra" entre a "open web" e uma versão de internet mais controlada, com um nível de segurança superior mas sem a liberdade que lhe reconhecemos actualmente.

É evidente que há um sentimento crescente de que a "open web" é um suporte com diversos riscos. A recente vaga de websites de WordPress "violados" revelou o aproveitamento menos escrupuloso de algumas vulnerabilidades do PHP, afectando dezenas de reconhecidos web designers e bloggers.

Uma consequência desta desconfiança relativamente à vulnerabilidade da internet é o surgimento de produtos como o iPad e a Xbox. Estes produtos não permitem a utilização de software nem modificações desenvolvidos por terceiros a não ser que se tratem de parceiros aprovados pela marca. Esta tendência aponta um possível caminho para a internet do futuro.

Um aumento da segurança geralmente significa uma restrição do conteúdo, ou ainda pior a limitação da liberdade, que é o motor de um certo estilo de inovação que tem impulsionado a evolução da internet e por consequência todo o nosso futuro digital. A internet no presente permite que um estudante universitário de 17 anos com uma ideia para um website o coloque online em 3 ou 4 dias e facilmente se torne numa rede social usada por milhões. É desta inovação e do impulso que esta pode trazer à internet que estamos a falar.

Se as ameaças actuais que recaem sobre a internet determinarem o fim desta, tal como a conhecemos, e fizerem surgir uma nova internet governada por organismos como a Apple ou a Microsoft, este género de liberdade e inerente inovação poderão ter os dias contados.

Vemos a internet como um meio inovador e como gerador de inovação, pois será necessária inovação para que siga no sentido desejado. Talvez sejam necessárias regras e acordos para regular a "open web", para que não fiquemos com a impressão de que fechámos as nossas tecnologias num cofre simplesmente para proteger o futuro.

Jorge Mendes