Opinião.23 Ago 2012

Neuro Web Design

Cada vez é mais importante para as empresas destacarem-se no mercado. Como designer, o objetivo é o de apresentar toda a informação que o cliente pretende transmitir de forma mais funcional e intuitiva, proporcionando por sua vez aos seus clientes e público em geral uma experiência clara, dinâmica e esteticamente agradável. No fundo o que se espera de um designer é que este tenha uma abordagem mais proativa em relação aos problemas e que essa mesma abordagem se traduza, através da capacidade de síntese informacional, no desenvolvimento da comunicação.

Qual o conceito de Neuro Web Design?
Neuro Web Design tem como base os comportamentos de natureza humana, fundindo áreas como a psicologia, a neurociência e a experiência do utilizador. É visto como uma técnica que explora os princípios comportamentais do público através do estudo do cérebro, com o objetivo de entender qual a influência que a nossa mente exerce nos processos de decisão e interação na web.
Este conceito, numa altura em que se fala tanto em usabilidade, pode vir a contribuir para o desenvolvimento de aplicações web cada vez mais viradas para o utilizador, isto é, através da compreensão dos princípios inerentes às nossas decisões, as equipas de desenvolvimento podem criar interfaces que possibilitem uma melhor experiência para o utilizador.

Parte das nossas decisões são influenciadas e baseadas em três grandes pilares: emoção, lógica e instinto. No que respeita ao comportamento humano já existem estudos científicos que provam que as zonas do cérebro que mais influenciam o processo de "tomada de decisão", são as que lidam com funções autónomas (reflexão e sobrevivência) e com as emoções. Ou seja, grande parte das nossas decisões são levadas a cabo por processos inconscientes.

Já existem diversos artigos sobre este tema, algo controverso, que gera várias opiniões sobre a utilização de técnicas de persuasão em web design.
A verdade é que o estudo da mente e consequente uso de técnicas de influência não são novidade para ninguém. Até podemos não saber enumerar nenhuma mas sabemos que existem e que são usadas no nosso dia-a-dia. Veja aqui um vídeo onde são explicadas algumas técnicas de persuasão no que diz respeito à compra de serviços e/ou produtos.

Será o papel de um designer persuadir o público?
Há uns bons anos fui a uma exposição (Catalyst!) inserida na experimentadesign que, de forma muito sucinta, sugeria os designers como catalisadores de informação. Eu acredito mais nessa versão do que na má interpretação feita por algumas pessoas em reação a alguns artigos sobre este tema, como este por exemplo "O design é forma e função e não – como mexer com o cérebro das pessoas para que elas tomem decisões que nos beneficiam a nós". Pessoalmente eu acho que um dos muitos papeis de um designer é o de persuadir o público. Acho que o designer deve "seduzir" o utilizador como participante inteligente, de forma a fazer-lhe chegar a informação que ele necessita para fazer uma escolha informada. O conceito de Neuro Web Design não força o utilizador a tomar uma decisão, apenas poderá ajudar a melhorar a apresentação e o conteúdo de uma aplicação web e consequentemente a sua usabilidade, atraindo mais visitantes.

Como posso ter uma aplicação web mais envolvente e eficaz?
Os utilizadores reagem aos três elementos já mencionados (emoção, lógica e instinto), assim sendo, é fácil perceber que uma aplicação web que funda estes elementos terá alguma vantagem em atrair e "seduzir" o utilizador.
Atenção que quando se fala em atrair não é manipular. O que todo o conceito visa é o de persuadir o utilizador a seguir determinado caminho porque se sente com vontade e necessidade para tal. No fundo falamos em convencer o utilizador aumentando a sua motivação e não a condicionar as suas possíveis ações e comportamentos alvo. Essa vontade pode ser convencida através de técnicas de persuasão mas se a aplicação em questão não fornecer um serviço útil e necessário aliado à fácil utilização e personalidade, as técnicas não garantem por si o seu sucesso.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Catarina Acúrcio