Opinião.31 Ago 2011

Net a bordo

Durante a época das férias de Verão há sempre uma grande aposta das agências de viagens na promoção de pacotes de férias em praias mais ou menos exóticas e de cruzeiros. Um programa de cruzeiros captou a minha atenção porque um dos destaques era... internet! Nos tempos que correm tomamos como certo que qualquer hotel tem Wifi no bar e tomada de rede no quarto. Assim como nem sequer colocamos a hipótese de não ter rede de telemóvel no nosso destino de férias, ou de não ter televisão por cabo à nossa disposição. Mas... e no mar?

No nosso dia-a-dia vivemos rodeados de tecnologia e a verdade é que já não sabemos viver sem ela. Mesmo estando de férias não resistimos a aceder à net para ver o nosso email e partilhar algumas fotos no Facebook. Com o aparecimento da internet nos telemóveis, Palm's, iPhone's e iPad's é cada vez mais fácil estar sempre ligado. Podemos estar calmamente deitados junto a uma piscina, a beber um cocktail e a navegar na net ou a jogar online. O gesto é de tal modo inconsciente que nem paramos para pensar que mesmo que o acesso seja wireless é sempre preciso uma infra-estrutura física que assegure a ligação.

No mar as coisas são mais complicadas. Não só não há cabos subterrâneos como os navios estão constantemente em movimento. Mas a ligação tem de ser permanente, tem de ser possível partilhar no Facebook o pôr do sol em alto mar. E à falta de fibra óptica temos satélites. As redes de satélites que se limitavam a guiar os navios nas suas rotas transoceânicas são agora aproveitadas para levar internet, telefone e televisão aos navios, quer se trate de navios de carga ou de grandes cidades flutuantes.

A pressão dos turistas e a crescente procura obrigou os operadores a encontrar soluções que nos permitissem estar sempre online, mesmo em pleno oceano. E a concorrência entre os diferentes operadores de telecomunicações, operadores turísticos, etc, tornou os preços acessíveis. A qualidade da ligação pode não ser igual à que temos em casa ou no trabalho, há zonas em que a cobertura de satélite pode falhar e em que é necessário mudar de satélite; mas se em pleno triângulo das Bermudas pudermos pegar no nosso telemóvel e consultar o nosso email ou ligar o Skype para fazer inveja aos amigos que ficaram em terra já podemos fazer o nosso cruzeiro mas descansados.

Fernando Pina