Opinião. 5 Set 2013

Microcopy

Microcopy é a designação atribuida às legendas dos campos dos formulários, às instruções de utilização, como por exemplo a indicação dos campos de preenchimento obrigatório, e aos textos de botões e menus. A sua função é geralmente informar ou conduzir o utilizador a concretizar um percurso ou ação de forma natural.

Todas as empresas têm uma linguagem própria, que geralmente se reflete na sua comunicação e no seu site, no caso do Microcopy deve haver um cuidado especial porque o que faz sentido para nós enquanto empresa, poderá não significar o mesmo para o utilizador. Estas legendas estão fortemente condicionadas pelo contexto pessoal de cada utilizador.

É habitual ler-se que em SEO (Search Engine Optimization), "Content is King" (o que significa que quanto mais relevante for o conteúdo do site mais este será favorecido nos motores de pesquisa), mas fora de contexto esse conteúdo é inutil. Quer seja no título de um post de blog ou o campo de descrição de um input devemos procurar compreender o contexto do público-alvo que pretendemos alcançar ou então fornecer elementos que contextualizem a informação que estamos a disponibilizar.

Além de garantirmos que as legendas não são subjetivas ao ponto de se perder o contexto devemos também dar especial atenção à sua coerência, ou seja, não denominar o mesmo elemento de forma distinta em diferentes partes do conteúdo do site.

Porque a objetividade é um requisito da navegação na internet foi-se criando o hábito de simplificar e reduzir ao essencial os textos e especificamente as legendas. Estas legendas são indispensáveis para uma navegação adequada pelo que deve ser utilizada uma linguagem natural. O resultado deve ser como que um diálogo com o utilizador e não um conjunto de "peças" soltas.

As legendas devem auxiliar o design e não resolver ou contornar as limitações deste. As melhores soluções necessitam pouco texto para conduzir o utilizador pelo percurso pretendido porque são intuitivas.

Existem vários testes relativamente à extensão ideal de conteúdos, no entanto com o surgimento da internet o foco virou-se essencialmente para a extensão das linhas. A maioria dos estudos indica como extensão ideal entre 45 a 75 caracteres por linha. Por outro lado há também estudos que sugerem que estas expressões não devem ter mais de 8 palavras para serem fáceis de ler e assimilar. Esta fórmula é também mais fácil de aplicar pelas equipas de desenvolvimento. Se não conseguimos explicar ao utilizador qual a ação que deve tomar em menos de 8 palavras devemos rever o design porque o mais provável é que o problema resida na solução adotada.

As melhores espressões para funções elementares, como formulários, devem ser lidas sem nos apercebermos disso, o utilizador assimila o conteúdo e executa a ação pretendida de forma automática.

A postura e tom do discurso das marcas é essencial para o sucesso de todos os conteúdos mas não deve interferir com a forma como o utilizador interage com o site, pelo que devemos evitar textos de "propaganda" em elementos de navegação, nas legendas dos formulários, títulos das áreas ou instruções de utilização. Poderemos incluí-los, eventualmente, em mensagens de confirmação ou de erro. Nos primeiros o utilizador está a realizar uma ação, pelo que devemos evitar confundi-lo e nos segundos a receber o resultado dessa ação.

O Microcopy é muitas vezes prejudicado por uma abordagem mais pessoal, terminologia própria de uma equipa de desenvolvimento, uma estratégia de marketing errada ou descontextualização, qualquer destes erros pode deitar por terra o melhor design e afastar os utilizadores. É ponto assente que é mais fácil evitar estes erros por antecipação do que identificá-los após a implementação. Infelizmente é necessária uma forte reincidência de uma escolha errada de Microcopy para que o erro se torne evidente e seja corrigido.

Em resumo, os erros de Microcopy são fáceis de cometer mas muito difíceis de identificar pelo que devemos procurar pôr em prática as abordagens aqui descritas.

Jorge Mendes