Opinião.20 Abr 2011

Marketing Infantil

Ao longo dos anos, não só existiram mudanças sociais, políticas e económicas como também se identificaram mudanças no papel das crianças na sociedade.
Mais informadas, decididas e com capacidade de influenciar as decisões da família, as crianças começaram a ser vistas pelas empresas como um público-alvo que merece uma atenção especial.

Cada vez mais as crianças começam desde muito pequenas a saber utilizar um computador, um telemóvel ou jogar um vídeo-jogo.
São elas que decidem o que querem vestir, os brinquedos que querem ter e os canais que pretendem ver.

A criança, apesar de não ser quem compra directamente, tem um papel preponderante no processo de decisão de compra de uma família, seja como influenciadora, como decisora ou como consumidora.
Quer na compra de brinquedos, de roupa, de produtos alimentares, quer na decisão das férias ou até da compra de um novo carro as crianças têm sempre uma palavra a dizer e cada vez mais os pais têm-nas em conta nas suas decisões.

Esta mudança é também consequência de uma outra, a do papel dos pais. Existe um aumento do número de crianças com pais separados, filhos de mães solteiras, ou que passam pouco tempo com os pais devido ao trabalho destes e por isso todos eles tentam compensar a ausência com um comportamento mais permissivo relativamente às exigências dos filhos.

Ao aperceberem-se do papel de decisor que as crianças desempenham no seio das famílias as marcas começaram a delinear estratégias para comunicar directamente com elas. Apareceram as mascotes, os canais exclusivamente infantis, os cromos e brindes nos produtos, os festivais dedicados a crianças, etc.
Mesmo as marcas para adultos tentam chegar a este público mais novo associando mascotes a produtos que não são directamente para eles, como por exemplo, o caso da Comfort ou do Skip.

Apesar do público infantil ser facilmente influenciável através dos anúncios, que adora pelas músicas e cores, e das mascotes, que admira pelas formas e movimento, isso não é sinónimo de uma estratégia de marketing mais fácil de delinear.
As crianças são exigentes, sabem perfeitamente o que são marcas e o que são imitações, são críticas, se não gostam não têm problema nenhum em dizê-lo e são genuínas, não consomem só porque parece bem.

Com o evoluir dos tempos as crianças passaram a ser não só o melhor do mundo para as famílias mas também para as empresas.

Vera Libânio