Kodak

Opinião.26 Jan 2012

Kodak - You push the button, we do the rest

Na passada quinta-feira, dia 19 de janeiro, a Eastman Kodak apresentou um pedido de falência voluntária no tribunal de Nova Iorque. Assim era a notícia que se podia ler nos vários meios de comunicação e que me apanhou de surpresa.
Não é que fosse uma notícia completamente inesperada já que a empresa enfrentava há vários anos problemas financeiros, mas eu inocentemente achava que o "momento Kodak" era de tal forma uma referência a nível mundial que apesar dos muitos fracassos económicos, a Kodak iria reinventar-se e procurar alternativas viáveis face ao esmagador crescimento do mercado.

Fundada em 1888, a Eastman Kodak Company revolucionou o mundo da fotografia, não só pela inovação e simplificação de todo o processo, reduzindo significativamente o material necessário para a captação de imagens, como também permitiu que o grande público, isto é, qualquer pessoa pudesse premir um botão e "congelar" um momento importante.

A verdade é que esta empresa tornou possível o desenvolvimento em diversos setores, incluindo o do cinema e o da saúde. Os primeiros filmes produzidos para o cinema foram criados por Eastman em 1889 e em 1896 a empresa fornecia chapas e papéis especificamente para a captura de imagens em raio X. Os investimentos da empresa não ficaram por aí, a Kodak também desempenhou um papel muito importante no que toca à impressão em revistas e livros. Depois de várias pesquisas a sistemas de impressão conseguiram mostrar ao setor como separar e corrigir cores, aumentando assim a sua qualidade.

A distribuição internacional dos produtos da marca chegou a Portugal em 1919 com a criação da Kodak Portuguesa. A marca rapidamente cresceu a nível nacional e foi graças à Kodak que muitos portugueses tiveram contacto com o mundo da fotografia.
Confesso que nunca tive uma máquina fotográfica da Kodak mas recordo-me de vir das férias, cheia de rolos da marca para revelar. Dirigia-me a um agente Kodak, existiam imensos, e depois esperava aproximadamente uma hora pelas fotografias ainda quentes vindas da máquina de revelação. Adorava quando me davam mais dois ou três rolos, consoante as fotografias que tinha revelado, isso e as capinhas amarelas e vermelhas para colocar as mais recentes fotografias.

Afinal a pergunta que se coloca é a seguinte: Como é que esta grande corporação multinacional, com a sua marca reconhecida em todo o mundo, detentora de diversas patentes e a criadora em 1975 da primeira máquina digital acaba por ser ultrapassada e sucumbe à revolução digital? Provavelmente a resposta será uma má gestão dos recursos da empresa. Afinal ser pioneira, inovadora e com uma infinidade de produtos e processos de topo não chega, é preciso acompanhar os tempos e as necessidades dos consumidores. Na época a maioria dos lucros da empresa vinham da venda de produtos químicos utilizados nos filmes e com receio de minar o negócio tradicional não arriscaram na altura certa.
Quando o mercado digital explodiu os concorrentes já teriam máquinas mais avançadas, ou seja, a entrada tardia da Kodak no mercado provavelmente valeu-lhe a situação em que se encontra hoje.

A empresa está a viver momentos complicados mas segundo o comunicado no website da Kodak, esta decisão tem como objetivo reorganizar a empresa. Diz ainda que esta reorganização permitirá à Kodak reforçar a liquidez nos EUA e no exterior, bem como resolver dívidas acumuladas. Este pedido não inclui as subsidiárias fora dos Estados Unidos. A Kodak pretende ainda continuar as operações normais de negócios durante o processo de reestruturação.
O futuro até pode ser incerto e pouco prometedor mas uma empresa como a Kodak dificilmente irá cair sem lutar.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Catarina Acúrcio