Opinião.11 Abr 2013

Flat Design - Uma Nova Tendência Nas Interfaces Web

Nos últimos anos tem-se verificado uma evolução assinalável na maneira como comunicamos através das aplicações web, com navegações mais intuitivas, de maneira que hoje em dia o utilizador comum consegue adquirir a experiência suficiente para fazer uma avaliação credível acerca da usabilidade de vários sites segundo aquilo que considera ser os "padrões de navegação" a que está habituado.

Não obstante à grande variedade de estilos que coabitam na web, os utilizadores em geral conseguem naturalmente adaptar-se a linguagens visuais diferentes entre si, reconhecendo facilmente os elementos básicos de navegação que constituem uma aplicação web, tais como botões, formulários, menus de navegação ou galerias de imagens.

Em parte essa facilidade deve-se ao à inclusão do "skeuomorphism" no design digital. Chama-se "skeuomorph" a um elemento que é projetado tendo por base um objeto físico, cujo funcionamento não é necessariamente prático ou atual, mas que ajuda o utilizador a associar uma determinada função ao respetivo elemento, através de metáforas. Vários exemplos de "skeuomorphism" podem ser encontrados sobretudo em aplicações para smartphones: a reprodução do som de um obturador quando se tira uma fotografia ou um botão que adquire a forma visual de um interruptor são exemplos disso.

Não foi obra do acaso o facto de ter sido nos smartphones que essa técnica se tornou mais recorrente e consequentemente aperfeiçoada. A Apple incentivou o uso deste tipo de analogias nos seus produtos, sobretudo nos dispositivos móveis uma vez que o risco de haver uma mistura de estilos era improvável já que não seria possível visualizar duas interfaces de aplicações diferentes ao mesmo tempo. Assim se instaurou a era do "skeuomorphism" elevado ao detalhe no design digital.

Contudo esta maneira de abordar o design de uma interface pode desencadear alguns problemas de usabilidade, já que as funcionalidades do objeto digital ficam "reféns" das limitações do objeto real. Isto acontece porque o utilizador apenas contempla e espera encontrar funcionalidades que se associem com o objeto físico que estava habituado a utilizar. Por exemplo é fácil encontrar este género de incongruência em aplicações que recriam calculadoras. Ao recriar uma calculadora convencional em formato digital, encontram-se limitações decorrentes do facto de se tentar preservar a semelhança entre o real e o digital: o número limitado de botões, a possibilidade de mostrar uma linha de resultados apenas, etc. Exclui-se portanto a hipótese de incluir novas funcionalidades, como por exemplo um histórico de cálculos efetuados na calculadora, que até poderia ajudar o utilizador nas suas contas, mas para o qual o mesmo não está preparado ou acharia estranho pois nunca viu tal funcionalidade numa calculadora convencional.

É com base nestas limitações e também pelo facto do mercado estar um pouco saturado com este tipo de design detalhista, que tem vindo a ganhar adeptos uma nova tendência de estilos: o flat web design. Esta tendência foi impulsionada sobretudo pela apresentação ao público do Windows Phone por parte da Microsoft (note-se, concorrente direta da Apple). O novo sistema operativo da Microsoft apostou numa interface de design "plano" de duas dimensões, tendo por base um conceito que apelidou de Metro e que tem por base o estilo tipográfico internacional, ou design suíço. Neste tipo de design privilegiam-se as cores, tipografia cuidada, espaço em branco e são deixados de parte os efeitos 3D, utilização de sombras ou reflexos.

De forma rápida esta corrente alastrou-se à web, sobretudo por ser um estilo novo e fresco, tendo adquirido entre a comunidade de web designers o rótulo de "design eficiente" e o título de "flat web design". Mas será realmente este estilo uma mais valia para o utilizador? Ou será apenas uma forma de obter um design mais demarcado e original? De facto existem vantagens. A "eficiência" que é atribuída a este tipo de design consegue-se pela quase inexistência de elementos distrativos, havendo a preocupação de visualmente encaminhar o utilizador para os elementos essenciais do site. O uso deste grafismo "limpo" e quase "minimalista" facilita a implementação do flat web design em sites "responsive", (aplicações web que se adaptam a vários dispositivos com ecrãs de dimensões diferentes). Para isso contribui o design simples, sem recorrer em demasia a efeitos tridimensionais, imagens e texturas que podem trazem dificuldades quando se tenta atribuir diferentes alturas e larguras ao mesmo elemento, variando as dimensões do ecrã em que ele é apresentado.

Mas depois de tanto esforço investido pelo consórcio web para que os browsers pudessem suportar vários efeitos tridimensionais, sombras, transparências e afins não será um desperdício dispensar o uso destas propriedades? Além disso o estilo "flat" levado ao extremo também poderá provocar problemas de usabilidade. Imagine-se um botão que consiste num simples retângulo de uma só cor. Desprovendo o botão de efeitos de profundidade (reflexo, sombras, contornos, relevo) corre-se o risco do utilizador se questionar se determinado elemento é um botão ou não.

Mas então que tipo de design utilizar? Como sempre, cada caso é um caso. Existem empresas que realmente poderão necessitar de um design mais detalhista de acordo com a sua área de ação. A questão passa por avaliar qual o melhor tipo de design que se adapta ao cliente. Possivelmente o mais recomendável poderá ser adaptar um estilo intermédio, do qual é exemplo a Google e as suas aplicações mais recentes, como a rede social Google+.

Na minha opinião, digo que se trata duma evolução natural do web design. Penso que sem o uso de elementos "skeuomorphic" a generalização de aplicações não teria sido tão bem sucedida como foi, uma vez que para quem não estava habituado ao uso da mesmas tornou-se mais fácil criar associações de ação-efeito. Mas com o decorrer dos anos, a própria sociedade de utilizadores vai adquirindo uma espécie de inteligência geral, isto é, tal como refiro no primeiro parágrafo desta publicação, o utilizador comum consegue hoje em dia identificar mais facilmente os paradigmas de navegação em aplicações, e com isso perde-se a necessidade de se ter que criar analogias óbvias entre a vida real e o digital para que haja entendimento e uma usabilidade correta.

Eis alguns exemplos:

spelltower.com
playhundreds.com
plus.google.com
layervault.com
lorenzoverzini.com
windowsphone.com
unitedpixelworkers.com

Tony Oliveira