Opinião.28 Nov 2012

Estratégia para Manutenção de Sites

A estratégia digital das empresas é muitas vezes abordada sem preocupações a longo prazo no que diz respeito à manutenção de conteúdos ou a futuros desenvolvimentos.

Por vezes o responsável pela empresa lembra-se que esta deveria ter uma aplicação para iPhone e isso torna-se na principal prioridade, no dia seguinte é um utilizador que se queixa do site não funcionar num determinado contexto e a acessibilidade salta para o topo da agenda. Esta abordagem é contraproducente e leva geralmente a decisões precipitadas, tomadas pela pressão do acontecimento.
Para não cometermos estes erros é necessário definir uma estratégia que leve em consideração, pelo menos, os seguintes pontos:

  • Objetivos do Site (adequados ao tipo de negócio)
  • Medição da Performance do Site
  • Manutenção de Conteúdos
  • Planeamento de Futuros Desenvolvimentos

É imprescindível ter os objetivos do site bem definidos e em simultâneo dotá-lo de mecanismos de medição que nos permitam avaliar que melhorias ou correções devemos aplicar primeiro. Estes dados podem ainda ajudar a validar a necessidade de novas funcionalidades. A lista de objetivos não tem de ser exaustiva, são diretivas para posicionar o site pelo que será algo do género:

  • Criar conteúdos de qualidade para incentivar o regresso regular ao site
  • Incentivar os utilizadores a subscrever a newsletter da empresa
  • Gerar contactos pela oferta de e-gifts
  • Angariar seguidores da empresa nas redes sociais

Elaborar uma lista de objetivos não é suficiente, temos de estabelecer prioridades para que não entrem em conflito entre si. Estes objetivos devem também ajudar a hierarquizar a informação, por exemplo, que elementos devem constar na homepage, no menu, etc...
Depois de desenvolvido os KPI (Key Performance Indicators, Google Analytics por exemplo) vão dar-nos a perceção do que funciona, ou não, no site.
A informação recolhida pelos KPI ajuda ainda a fazer uma gestão adequada dos conteúdos.

A evolução dos Gestores de Conteúdos transformou a forma como gerimos os sites, mas também criou novos problemas ao permitir que várias pessoas possam adicionar ou retirar conteúdos. Alguns sites sofrem disso mesmo, com a colocação diária de informação crescem constantemente sem a preocupação de eliminar conteúdos obsoletos. Com o propósito de manter o site atualizado respeitando sempre o mesmo padrão de qualidade deve ter-se em atenção o seguinte:

  • Quem fica responsável pelo rigor dos conteúdos?
  • Quem fica responsável por manter o "tom" de escrita do site? Se é mais formal, descontraído...
  • Quem faz a verificação do rigor da escrita?
  • Quem aprova os conteúdos antes de serem publicados?
  • Como é gerido o conteúdo desatualizado?

Este último ponto levanta algumas questões porque ao ser mantido por tempo indefinido o excesso de conteúdos pode dificultar a procura de informação e tornar a estrutura gradualmente mais pesada. Eliminar conteúdos nem sempre é tão simples como parece, porque a informação é gerada por alguém que na hora de eliminar esse conteúdo pode encarar isso como um ataque pessoal, argumentando que este pode interessar a alguns utilizadores. Possuir uma política de conteúdos bem definida evita estas questões porque estabelece regras. Por exemplo, pode definir-se que se um conteúdo não atinge um certo número de visualizações é suscetível de ser eliminado. A ideia é definir regras que evitem discussões e debates sucessivos sobre a validade dos conteúdos.

Por fim devemos prever futuros desenvolvimentos e para tal é conveniente manter um mapa ou planeamento dos mesmos, evitando decisões precipitadas com sucessivos avanços e recuos. Como a internet é uma realidade em constante mudança não é razoável elaborar planos a longo prazo, mas devemos antecipar futuras necessidades de modo a enquadrá-las na nossa lista de prioridades. Este planeamento deve reservar espaço para melhorias ao longo da vida do site, melhorias na compatibilidade entre browsers e plataformas e na navegação, consequência dos resultados de Analytics e dos testes de usabilidade.

Pretende-se assim alertar os gestores de sites para a necessidade de refletirem sobre este assunto, e evitarem que os sites se tornem desorganizados, maçudos e pouco eficientes.

Jorge Mendes