Opinião. 3 Mai 2010

Estaremos a assistir ao fim do Flash?

Até há pouco tempo atrás se quiséssemos um website com um grafismo elaborado e uma forte componente de interactividade teríamos que recorrer a Flash, mas com a evolução dos browsers e a proliferação de bibliotecas de JavaScript a tendência não só se inverteu como tem vindo a anunciar o fim do Flash. Embora tenha permitido alargar durante muito tempo o número de funcionalidades disponíveis nos websites, actualmente os benefícios da utilização do Flash não são tão evidentes pois, aos poucos, designers e programadores têm vindo a aperceber-se das capacidades do HTML5 e das CSS3 e das vantagens da sua utilização.

Porque passámos a aceder à internet a partir de outros equipamentos, como os telemóveis e os netbooks, utilizar os Standards da Web faz ainda mais sentido dada a superioridade destas linguagens no que respeita à compatibilidade entre diferentes browsers.
Outro aspecto que reforçou esta tendência foi o aparecimento do iPad e a falta de suporte da Apple ao Flash, neste equipamento e também no iPhone. Este facto veio agravar ainda mais a relação entre a Apple e a Adobe. Com a posição da Apple e com a sua crescente cota de mercado nestes equipamentos torna-se cada vez mais difícil defender soluções que assentem exclusivamente em Flash porque isso significaria deixar de fora um grande número de utilizadores.

Por outro lado aquilo que em tempos podia apenas ser disponibilizado com recurso a Flash é possível fazer agora de forma simples e rápida com JavaScript, tal como Slideshows, Lightboxes e outros elementos gráficos utilizados para enriquecer a navegação dos websites. Além destes elementos os Videos têm sido o principal impulsionador destas linguagens uma vez que até recentemente só podiam ser disponibilizados de forma eficaz por intermédio de Flash. A viragem deu-se no momento em que o Youtube adoptou a componente de video do HTML5, ainda que em versão Beta, permitindo aos browsers mais recentes contornar a utilização do plug-in do Flash.

Terá a Adobe capacidade de inverter esta tendência e criar novas capacidades e necessidades para a utilização do Flash?

Jorge Mendes