Opinião. 6 Mar 2012

E se a internet fosse limitada ao nosso país?

Depois do SOPA e do PIPA terem provocado uma onda de indignação no mundo virtual, que se alastrou ao mundo real e que levou ao adiamento das discussões e ao melhoramento destes projetos de lei americanos, aparecem confirmados os rumores de que o Irão possa estar a criar a sua própria Internet.

Segundo informações da agência Efe, Reza Taghipur, ministro das comunicações daquele país, terá dito que a criação desta rede não significa que o país fique sem acesso à Internet como a conhecemos.
Segundo este governante, a Internet é insegura, pelo que o seu país optou por criar a sua própria rede.

Que a Internet é insegura, todos nós sabemos. Que tem defeitos também. Mas com tudo de bom ou mau que dela advém, até à pouco tempo de uma coisa tínhamos a certeza, era livre.

Se no "mundo ocidental" se debatem cada vez mais as liberdades do mundo virtual, e se no mundo real as liberdades já estão condicionadas, faz sentido condicionar também a liberdade na rede? E de que forma será essa liberdade condicionada? De acordo com as leis de cada país? Se assim fosse, teríamos efetivamente de ter uma rede limitada à nossa localização geográfica.

A Internet nasceu da necessidade de partilha do conhecimento. Quebrou barreiras, transpôs o muro de Berlim muito antes de este ter caído. Cada discussão sobre as limitações a impor na rede tiram-nos um bocadinho mais do mundo que todos os dias lá é construído e que tanto aproximou os povos de diferentes cores e credos.

Em termos comparativos, todas estas discussões são doenças que necessitam de tratamento. Umas serão curadas. As outras, levarão ao fim do sonho.

Ricardo Lage