Opinião. 5 Jul 2013

Douglas Engelbart

Para a maior parte das pessoas este nome será absolutamente desconhecido. O próprio Douglas Engelbart considerou numa entrevista que a sua vida tinha sido um verdadeiro fracasso. No entanto devemos a este visionário muito do que atualmente existe nos computadores que usamos no nosso dia a dia, nomeadamente o rato, o hipertexto, as redes de computadores e as interfaces gráficas.

Douglas Engelbart dedicou a sua vida ao desenvolvimento de novas formas de melhorar a interação entre pessoas e computadores e à ligação de computadores em rede por forma a aumentar a capacidade de processamento diminuindo o tempo de resposta. Mas as suas ideias estavam muito à frente do seu tempo e, apesar de hoje em dia nos parecerem triviais, nunca tiveram o merecido sucesso nem aceitação por parte da indústria da altura.

Em 1957 Douglas Engelbart começou a trabalhar no Standford Research Institute onde montou um laboratório a que chamou Augmentation Research Center; o objetivo da sua investigação era aumentar as capacidades intelectuais das pessoas através do uso de computadores. Na primeira metade dos anos 60 Douglas Engelbart e a sua equipa de investigação criaram a primeiras ferramentas colaborativas, o hipertexto, os ecrãs gráficos e... o Rato. Quando o rato foi patenteado, Douglas Engelbart, descreveu-o como um apontador de coordenadas X-Y para sistemas gráficos. Nessa altura o rato não era mais do que uma caixa de madeira, com duas rodas metálicas, um botão e um fio que saía da caixa para ligar ao computador; foi por causa deste fio que a equipa de investigadores atribuiu a alcunha rato ao "apontador de coordenadas X-Y".

O Standford Research Institute patenteou a invenção mas nunca se apercebeu do seu verdadeiro potencial. Na altura em que Douglas Engelbart e a sua equipa desenvolveram o seu trabalho de investigação não havia computadores pessoais e o acesso aos computadores existentes na altura estava vedado ao cidadão comum. Numa entrevista, Douglas Engelbart contou que o Standford Research Institute tinha licenciado o rato à Apple Computer por $40.000. Douglas Engelbart e a sua equipa nunca receberam royalties pelas suas invenções, apesar de terem antecipado o futuro e criado as ferramentas necessárias à sua criação.

Após o encerramento do seu laboratório e o desmembramento da sua equipa de investigação, principalmente devido à falta de financiamento, Douglas Engelbart continuou a desenvolver o seu trabalho em institutos e organizações não lucrativas. Nos anos 80 fundou com a sua filha um instituto com o seu nome onde realizou seminários e conferências como forma de divulgar a sua visão de melhorar o QI coletivo através do trabalho colaborativo. Foi consultor em diversos Institutos e Agências norte-americanas e recebeu vários prémios e galardões pelo seu trabalho. Douglas Engelbart morreu no passado dia 2 de Julho, aos 88 anos.

A Douglas Engelbart devemos a forma como atualmente usamos os nossos computadores. Num futuro mais ou menos próximo os ratos passarão a ser obsoletos, com a disseminação dos dispositivos touch-screen. Tal como a atual geração nunca usará uma disquete para guardar informação nem consegue perceber como é que nós lá conseguíamos gravar programas inteiros, a próxima olhará para os ratos como algo quase pré-histórico. Mas Douglas Engelbart merecerá sempre o reconhecimento da nossa geração.

Fonte da Imagem:
http://www.telepresenceoptions.com

Fernando Pina