Deep Web

Opinião.28 Nov 2013

Deep Web - A rede escondida

A Deep Web (também conhecida por Dark Web, Undernet ou Hidden Web) representa conteúdo da World Wide Web que não é indexado por motores de busca convencionais. De acordo com o The Guardian, apenas temos acesso a 0.03% da internet através de sites como o Google. Esta rede escondida é completamente anónima e impossível de aceder sem que nós próprios sejamos anónimos.

Para aceder ao lado sombrio da internet é necessário utilizar um browser especial, como o famoso TOR. Ao utilizar este software, o utilizador é completamente anónimo e a sua localização não pode ser obtida por terceiros. Esta proteção é possível através de uma rede de encriptação onde os pedidos e envios de dados passam através de caminhos aleatórios por pontos TOR espalhados por todo o mundo.

A liberdade dada por este tipo de navegação fez com que surgisse uma economia paralela, facilitada com a moeda virtual Bitcoin. Com estas condições reunidas, a Deep Web tornou-se o sítio perfeito para a troca e venda de produtos e serviços ilegais. Serve de exemplo o Silkroad, chamado de "eBay das drogas", um site onde era possível comprar e vender drogas ilegais com bitcoins, sendo assegurado o anonimato total dos utilizadores. Porém, tal como o aumento do sucesso do site, também as atenções do FBI se voltaram para "Dread Pirate Roberts", o pseudónimo do criador deste mercado virtual, e depois de dois anos de investigação, em outubro deste ano, foi feita a sua detenção e eliminado o site. Apesar disso, muitos dos seus seguidores começaram negócios semelhantes, sendo difícil para as autoridades monitorizar e acabar com esta nova vaga criminosa.

Contudo, a DeepWeb pode também ser utilizada com fins legítimos. A proteção que o TOR oferece permitiu aos dissidentes da primavera Árabe comunicar e unir-se evitando a sua deteção por parte dos regimes opressivos. Muitos dos vídeos gravados durante a revolução Síria apareceram primeiro na DeepWeb, por exemplo.

A Deep Web é ainda uma rede repleta de ilegalidade e os seus fins ativistas são ainda uma pequena gota no oceano. A facilidade com que atividades obscuras surgem na rede é preocupante e as autoridades necessitam de desenvolver novos métodos para travar esta espécie de anarquia online. Fica a questão: o anonimato na internet e a liberdade que este meio proporciona justificam os riscos?

Para saber mais:

Bruno Gouveia