Opinião.12 Abr 2010

Comunicação Visual

A representação gráfica faz parte dos sistemas de signos que o homem construiu para reter, compreender e comunicar as observações que lhe são necessárias.

A comunicação visual baseia-se na visão, na forma como percepcionamos o mundo e o que nos rodeia. O reconhecimento e potencial deste sentido já conta com uma longa história, pois era com a ajuda visual que o homem primitivo transmitia as suas mensagens, usando sinais e símbolos gráficos.
Ao longo do tempo, a forma de comunicar sofreu mutações, tanto a nível estético, moral, político ou cultural.

Crescemos habituados a ver e a descodificar mensagens em meros segundos. A cidade moderna absorve diariamente milhares de mensagens, através de cartazes, painéis de sinalização e informativos, logótipos e outras formas de arte urbana.
É através do exercício constante de descodificação que somos moldados, quase que inconscientemente, a distinguir sinais de forma automática, seja pela sua cor, configuração ou posicionamento. Temos o caso da McDonald's e os seus famosos arcos amarelos; da CoCa-Cola e as suas "curvas" mundialmente conhecidas; da Absolut Vodka com a sua imagem centrada na garrafa; dos anúncios da Benetton que abordam questões declaradamente culturais, até à simples sinalética que vemos para identificar um hospital, zona de deficientes ou mesmo um sinal de perigo.

Este fenómeno natural e humano é permitido porque vivemos em constante comunicação, porque precisamos e porque de alguma forma já faz parte da nossa cultura. O trabalho de moldar activamente o nosso pensamento resulta da constante manipulação visual, que nos induz a acreditar e a aceitar cada símbolo como parte integrante da nossa vida.

Este é o poder do design como sub-cultura. O confronto com produtos de informação e comunicação através dos meios envolventes. A forma como uma mensagem é conduzida segundo as referências de cada linguagem e cultura visual, funcionando como ponte entre diferentes expressões ou níveis de comunicação.

Catarina Acúrcio