Opinião.29 Nov 2010

Branding

Branding é mais que uma simples abordagem gráfica à imagem corporativa de uma empresa.

Habitualmente visto como a componente gráfica, o Branding deve também ser encarado como uma forma de estudo e planeamento para atingir os objectivos definidos pela marca. É importante perceber que estas duas vertentes são indissociáveis. Por um lado temos a componente gráfica, onde englobamos o logótipo, as fontes e as cores e por outro lado a vertente estratégica, composta pela marca, a qualidade dos produtos ou serviços, a comunidade envolvente e a cultura da empresa.

O elemento com maior protagonismo é o logótipo por isso é desenhado de forma a que possa ser reconhecido imediatamente, porque é assim que os utilizadores geralmente identificam a empresa. O logótipo permite distinguir uma deteminada empresa das suas concorrentes, mas este só por si não tem valor intrínseco, pelo menos até que a marca lhe adicione valor.

Muitas vezes relegada para segundo plano a escolha de uma fonte "limpa" pode fazer toda a diferença. Uma fonte bem desenhada e apropriada pode ser suficiente para criar o sentimento de que há algo de especial num determinado produto. Uma das fontes com maior sucesso e utilizada exaustivamente é a Helvetica. Com mais de 50 anos, a Helvetica mudou a forma de ver a tipografia, mostrando a designers e utilizadores que a simplicidade é uma qualidade. Habitualmente as organizações com maior exposição optam por fontes Sans-Serif, por serem mais simples e sofrerem visualmente menos desgaste com o passar do tempo. Se a empresa for um pouco mais conservadora a utilização de uma fonte Serifada poderá ser mais adequada por reflectir um design mais clássico. Com a escolha acertada da fonte, a empresa deve conseguir realçar a mensagem que pretende passar.

As cores escolhidas podem também realçar a forma como a empresa encara os seus negócios. Tal como os restantes elementos estas devem reforçar a filosofia e estratégia adoptadas. Na abordagem ao tema da teoria da cor devem ser consideradas diferentes combinações e interpretações. Pelos vistos o nosso cérebro não evoluiu no sentido de valorizar as cores primárias ou básicas, preferindo cores mais naturais e combinações menos vulgares.

O nominativo também pode funcionar como marca pois comunica numa linguagem universal a estratégia adoptada. A função da imagem corporativa não é fazer apenas com que uma empresa seja escolhida em detrimento de outra, mas procurar que os potenciais clientes a vejam como a única solução para as suas necessidades. Por isso é imprescindível que os objectivos fundamentais estejam bem definidos desde o início. Estes reflectem as características da empresa, a sua filosofia e os seus processos e imagem. Um nome forte ajuda a desenvolver esta credibilidade e a motivar Clientes.

A qualidade é outro aspecto determinante para conseguir alcançar os objectivos estabelecidos. Esta qualidade deve estar bem patente em todos os aspectos da empresa, na forma como gere os negócios, nos produtos ou serviços e na forma como lida com os Clientes ou potenciais Clientes. Uma empresa que fornece produtos ou serviços de qualidade tem maiores probabilidades de fazer com que os clientes voltem uma e outra vez e passem palavra sobre o valor destes.

Este comportamento fomenta o surgimento de comunidades. As empresas maiores têm tendência em descuidar a importância das comunidades em volta da sua marca. A primeira empresa a reconhecer a sua importância foi a Apple, criando uma enorme comunidade de entusiastas em redor dos seus produtos, o que veio a revelar-se um sucesso incontestável.

A comunidade está intimamente ligada com a cultura da empresa, mas não é a mesma coisa. A cultura da empresa passa pelos gostos, comportamentos, conhecimento e valores que são partilhados e apreciados pela comunidade. Ainda assim, ter uma comunidade construída em redor dos nossos produtos não significa necessariamente que a nossa comunidade tem uma cultura saudável. A cultura é acima de tudo o resultado das políticas da empresa e da forma como interage com a sua comunidade.

Jorge Mendes