Opinião.16 Mai 2014

Aromas Digitais

A ideia de transmitir aromas como se transmitem imagens e sons não é nova. Já nos anos 50 e 60 foram feitas inovações tecnológicas com o objetivo de introduzir mais uma experiência sensorial nos cinemas.O "Smell-O-Vision" era um sistema que emitia odores através do ar-condicionado durante a transmissão de um filme de modo a permitir ao espectador cheirar o que acontecia na projeção.

Porém, esta invenção não obteve o sucesso esperado pelos seus criadores. Os espectadores criticaram o facto de só se aperceberem dos aromas passados alguns segundos depois da ação ser mostrada no ecrã. Também o ruído do sistema de lançamento de odores e dos espectadores a inspirar alto para tentar capturar os cheiros mais suaves contribuíram para que este sistema não fosse bem recebido e rapidamente esquecido.

Mesmo o "Smell-O-Vision" tendo falhado redondamente, continuaram a ser feitos esforços para adicionar o sentido do olfato à experiência do consumo de media. Em 2005, investigadores japoneses anunciaram que estão a trabalhar numa televisão 3D com toque e cheiro que será comercializada por volta de 2020.

No dia das mentiras a Google anunciou, como brincadeira, uma aplicação chamada "Google Nose" que permite aos smartphones e android emitirem cheiros como "cão molhado" ou "bolas de naftalina". Para Amos Porat esta ideia vai para além da piada. O inventor israelita desenvolveu vários protótipos capazes de controlar cheiros e emiti-los através de brinquedos eletrónicos.

Caso estas ideias se cheguem a concretizar, será talvez possível escolher um perfume diretamente no site da marca com o auxílio do olfato. Também a publicidade poderá sofrer uma revolução, imaginemos um anúncio de uma pizzaria com o cheiro de uma pizza acabada de fazer.

Se esta tecnologia vai passar da promessa, piada ou completo falhanço à realidade ainda não é possível determinar, mas os esforços para tornar a experiência dos consumidores cada vez mais realista e imersiva são de admirar.

Bruno Gouveia