A Arte da Guerra

Opinião. 8 Mar 2012

A Arte da Guerra - Propaganda da II Guerra Mundial

A exposição "A Arte da Guerra", apresenta a propaganda como forma de transmissão de mensagens de texto simples combinadas com fortes ilustrações de conteúdo emocional, relacionadas com os deveres e obrigações do povo patriota, em prol do esforço de guerra.
Numa altura de grande conflito, cada nação envolvida apelava à mobilização de toda a população num esforço ativo e de apoio a uma causa nacional. Esta não seria apenas uma guerra de soldados mas de todo o povo.

Durante o percurso da exposição é possível conhecer mais de 200 peças originais dos vários países intervenientes. A maioria das obras apresentam-se sob a forma de cartazes impressos que por serem mais baratos, mais fáceis de produzir e de aplicar, foram o principal modelo de propaganda utilizado no apelo ao contributo.

As peças abordam temas como o esforço na produção da indústria de guerra. Era pedido aos cidadãos que produzissem mais armamento para as tropas em menos tempo, que trabalhassem mais horas e que qualquer arma extra poderia significar o fim da guerra e a vitória.
A motivação e o discurso patriótico tinham de ser constantes para relembrar à frente doméstica a sua extrema importância. Eram utilizadas várias técnicas, como por exemplo, a aplicação de imagens de soldados bravos que deram as suas vidas em nome da liberdade ou referências ao espírito de união.

Com o estalar da 2ª Guerra Mundial e, consequentemente, com a maior produção de material bélico os bens de consumo foram desaparecendo. Estava na hora de mudar a atitude dos americanos face aos bens, era necessário reduzir o seu consumo. A falta de algumas matérias primas, como a borracha e a gasolina levaram ao racionamento de pneus e as pessoas foram encorajadas a fazer só as viagens necessárias e com o carro cheio.

As pessoas eram constantemente lembradas das suas obrigações enquanto cidadãos que desempenham um papel crucial e ativo na defesa. Existiam cartazes que apelavam ao cuidado com a escrita e conversas, em locais públicos, do que se passava nas zonas de batalha, pois qualquer deslize poderia terminar na partilha de informação para o inimigo.
Outro dos temas abordados é o do financiamento e a compra de títulos de guerra. A guerra potencia o crescimento económico mas também revela despesas gigantes. Assim era pedido à população que contribuísse com o pagamento dos seus impostos e que ainda investisse 10% dos seus rendimentos em títulos ou compra de selos de guerra para ajudar nos gastos.

Esta é uma exposição com diversas abordagens mas que mostra um objetivo comum. Unir a população e manter a moral elevada em tempos difíceis.
Coproduzida pelo Museu do Caramulo e o Museu Coleção Berardo, a exposição temporária "A Arte da Guerra", de entrada gratuita, estará patente no Museu Coleção Berardo até ao dia 26 de março de 2012. Se ainda não teve oportunidade para ver, tem por isso mais alguns dias para visitar o outro lado da guerra, conhecer o seu impacto e descobrir as diferentes formas de implementação gráfica e de comunicação aplicadas.

Pode ver também a entrevista com o comissário Salvador Patrício Gouveia, curador desta exposição sobre os apelos à mobilização e todo o esforço da frente doméstica por parte dos Aliados e dos Países do Eixo clique aqui.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Catarina Acúrcio