Opinião. 7 Fev 2014

10 anos... Like!

O Facebook celebrou o seu décimo aniversário esta semana. E mais do que os mil e duzentos milhões de utilizadores em todo o mundo, o que nos dá a certeza da dimensão do Facebook é o facto do seu décimo aniversário ter merecido destaques televisivos e reportagens nos jornais um pouco por toda a parte.

E nem a sempre presente controvérsia em torno dos malefícios da rede social fazem abrandar o furor com que, em todo o mundo, milhões de pessoas se ligam diariamente ao Facebook para partilhar as fotos dos filhos, das festas de amigos, de casamentos e de batizados. Também são conhecidas as histórias de casamentos que acabam por causa do Facebook e de trabalhadores despedidos pelo que dizem a respeito da empresa no Facebook. Mas a verdade é que dificilmente podemos culpar a aplicação pela falta de cuidado dos utilizadores. Tal como se costuma dizer, se queres manter algo em segredo não o ponhas no Facebook.

Mas o Facebook tem uma outra vertente. A empresarial. E aqui também muita coisa mudou desde que Mark Zuckerberg e os seus amigos lançaram este programa que, na altura, permitia a um grupo de amigos manterem o contacto entre si e ao mesmo tempo conhecerem miúdas da Universidade.

Os nomes Zynga e King soam familiares? Provavelmente não... Mas de certeza que os nomes Farmville e Candy Crush provocam um sorriso só de as ouvirmos. Quantas horas já foram passadas em frente ao computador com estes jogos? Quantos cabelos já foram arrancados quando não conseguimos bater aquele recorde? E quantos jogadores gastam alguns dólares para conseguirem aquele bónus extra? O custo de cada compra é quase sempre muito reduzido, mas se o multiplicarmos pelos milhares ou milhões de jogadores diariamente começamos a perceber a dimensão do negócio. Estamos a falar de receitas de milhares de milhões de dólares por ano. Curiosamente a relação entre a Zynga e o Facebook terminou em Março de 2013. As ações da empresa estão a cair a pique, a base de jogadores atingiu mínimos históricos e milhares de trabalhadores foram despedidos.

Para além das empresas que "existem" dentro do Facebook há todas as outras que criaram páginas no Facebook. Se antigamente ter um website era suficiente, agora uma presença nas redes sociais é fundamental. Já não chega estar na web, é preciso estar no Facebook.

Uma enorme vantagem do Facebook é a facilidade com que as ideias se podem espalhar. Em tempos de crise isso tem sido muito bem aproveitado por pessoas que começam pequenos negócios, pouco mais que biscates, que evoluem e se tornam negócios capazes de garantir o rendimento mensal necessário. E também em tempos de crise e contestação social o Facebook tem servido para organizar e divulgar protestos, manifestações e outras iniciativas reivindicativas. E tudo de forma gratuita.

Com tudo o que tem de controverso, o Facebook tem uma característica fascinante. O facto de termos o mundo na ponta dos dedos. Qualquer ideia pode vingar desde que consiga atrair a atenção dos utilizadores. Entre likes, comentários e partilhas a ideia vai crescendo e nunca se sabe no que se transformará ao fim de algum tempo. Provavelmente há ideias a circular no Facebook que daqui a 10 anos serão mais populares que o Facebook. Mas enquanto essas ideias não vingam continuaremos a partilhar as nossas histórias e fotos com os amigos. No Facebook, claro!

Fernando Pina